Pensa-se que o Boerboel se tenha desenvolvido a partir do cruzamento entre os cães locais e os cães dos colonos europeus, sobretudo Dinamarqueses, que foram levados para a África do Sul no século XVII. Estes cães eram molossos, cuja força e tenacidade era vital para combater as tribos nativas hostis e os animais selvagens de grande porte, tais como leopardos, hienas, etc.
Com a chegada dos colonos britânicos e franceses no início século XIX, foram introduzidos os bulldogs e outros tipos de cães molossos. Acredita-se que o Dogue Alemão tenha tido um papel importante no desenvolvimento da raça. No século XX, o Bullmastiff foi importado para o país como guardião das minas de exploração de diamante. Acredita-se que estes cães tenham sido cruzados com o Boerboel.
A história do Boerboel está intimamente ligada á história dos Boers. Foi ao seu lado que muitos Boerboels pereceram na guerra anglo-boer na defesa dos seus donos, fazendas ou famílias.
A Grande Migração (Great Trek) dos Boers para as províncias livres do Transval e Orange - motivada por questões políticas, os Boers não aceitavam as leis impostas pelos britânicos na província do Cabo - elevou o papel fundamental que os cães desempenhavam na vida destes colonos. Era comum os Boers fazerem-se acompanhar de dois tipos de cães, ambos fruto de uma linha comum, mas com características diferentes:
- O chamado Boerhound, cão mais esguio, mais alto e com um elevado nível de energia. Tinha uma grande capacidade de percorrer longas distâncias e um apurado instinto de presa. Era utilizado pelos colonos na caça grossa;
- O Boel, cão tipicamente Molossóide, ou Mastiff, com um fraco sentido de presa, mas de apurado sentido de guarda, robusto, com uma grande cabeça e mandíbulas potentes. Era utilizado na defesa das fazendas do gado e das famílias.
É possível que o Boerhound esteja, de alguma forma, nas origens do Rhodesian Ridgeback enquanto que o Boel viria a estar na origem do Boerboel.
A eficiência do Boerboel tornou-o num cão popular, sendo o único cão especificamente criado como guarda na África do Sul. Ao longo dos séculos, a selecção natural encarregou-se de apurar a raça, visto que apenas os mais fortes e ágeis conseguiam sobreviver a leões, babuínos e mesmo cobras. O Boerboel era um cão criado naturalmente nas fazendas algumas das quais distavam vários dias de caminho entre si. Dessa forma, o stock de criação era bastante limitado, existindo uma vasta política de criação chamada inbreeding, cruzamento de cães com relação de parentesco directo, mãe-filho, etc. Esta forma de criação ditou diferenças regionais que ainda hoje se observam.
Em 1993 foi criada a SABBA (South African Boerboel Breeders Association), que se encarregou de definir um estalão para o Boerboel de forma a que os seus criadores pudessem ter um quadro de características que deveriam aperfeiçoar nos cães para poderem vir a ser definidos como Boerboels.
Apesar de a raça ter vindo a padronizar-se, devido aos desacertos ainda existentes, o Boerboel ainda não é reconhecido como raça pelos principais clubes de canicultura internacionais. Mesmo assim, permanece um cão popular no seu país de origem e além fronteiras.






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